segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Como Narrar Histórias


Como Narrar Histórias

Podemos narrar algumas histórias japonesas em vários níveis.
Para as crianças, contando da forma mais infantil possível; para um pré-adolescente sendo um pouco mais severo, esclarecendo que podemos receber boas reciprocidades ou não, expressando-se de uma forma suave, mas carregada com um pouco mais de severidade.

Para um adolescente, já apresentando a história com um tom mais grave, o que fizeres aqui também reflete lá, algo como esta sentença: “o que semeares, colherás multiplicado.”

Para o adulto, precisamos ser o mais severo possível, porque de outro modo não surtirá aquele efeito desejado.
 
O educador deve ter cuidado e bom senso, para saber dosar, e assim, não gerar insegurança ou medo nas crianças.


Seria como um botão de rosa; ele deve desabrochar naturalmente, caso contrário,
virá a prejudicar ou até danificar todo o seu desabrochar.


                                             Escrito Por: Yoshio Nouchi

UrashimaTaro

UrashimaTaro
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“Há muito, muito tempo, havia um jovem pescador que vivia no litoral. Seu nome era Urashima Taro.

Um dia, enquanto caminhava ao longo da praia, ele viu que alguns meninos tinham apanhado uma grande tartaruga do mar. Eles estavam importunando e espetando a tartaruga com varetas.

Taro tinha um coração muito bondoso, e odiava ver pessoas sendo cruéis com os animais. Por isso, ele disse: - Meninos, por favor, deixem a tartaruga ir embora. Ela não faz mal a ninguém, e vocês não deviam ser malvados com ela. Tratem de levá-lade volta ao mar.

Os meninos ficaram envergonhados de si mesmos. Eles colocaram a tartaruga de volta na água e a observaram nadar, feliz, para longe.

Muitos dias depois, Taro estava novamente caminhando pela praia quando ouviu uma voz dizendo:

- Taro! Taro!

Ele olhou ao redor, mas não pode ver ninguém.

- Quem está me chamando? – perguntou.

- Aqui estou – disse a voz vinda do mar. Quem falava era uma tartaruga que vinha rastejando na areia.

- Sou a tartaruga que você salvou outro dia. Quando retornei ao palácio no fundo do mar, contei à Princesa do Mar o que você tinha feito. Isso a deixou muito feliz, e ela me pediu para que eu o levasse ao seu encontro.

- Sempre quis visitar o fundo do mar – respondeu Taro, que subiu na carapaça da tartaruga e foi carregado velozmente até muito fundo, onde ficava o grande palácio, nas profundezas do mar.

- Taro, você foi muito bondoso com meu servo, a tartaruga – disse a princesa. – Eu queria lhe agradecer, por isso pedi que a tartaruga o trouxesse até aqui. Por favor, seja meu amigo e esteja no meu palácio para sempre. Nós seremos muito felizes, e você poderá ter tudo o que desejar.

Taro acabou ficando no palácio com a Princesa do Mar. No início, comeu pratos maravilhosos, viu coisas incríveis, e estava muito feliz. Mas, depois de um período que lhe pareceu durar poucos dias, começou a sentir saudades de casa e de seus amigos da superfície.

Ele ficou pensando sobre como estavam seu pai e sua mãe.

- Tenho sido muito feliz aqui, mas quero voltar à terra e ver meu lar e meus amigos. Por favor, me leve de volta à minha terra.

- Está bem, Taro – respondeu a princesa. – Se você está determinado a ir, 
o levarei de volta. Mas fico triste por vê-lo partir. Nós temos sido tão felizes juntos! Como recordação de sua visita, darei a você esta bela caixa. Enquanto a possuir, poderá voltar para me visitar sempre que quiser. Porém, Taro, nunca abra, jamais! Se a abrir, nunca mais poderá voltar aqui. Não abra a caixa.

Taro pegou a caixa, agradeceu a princesa pelo período fantástico que passou no fundo do mar, subiu na carapaça da tartaruga e rumou de volta para casa.

Ao chegar à praia, a vila tinha mudado. Ele não podia nem mesmo encontrar sua própria casa. Foi então que perguntou a algumas pessoas na praia:

- Onde fica a casa de Urashima Taro, e onde estão seus pais?

- Meu jovem, por que você pergunta sobre coisas que aconteceram há muitos e muitos anos? Urashima Taro se afogou há tanto tempo que muitos de nós nem mesmo éramos nascidos. Que estranho você não saber disso!

Taro estava intrigado. Como era possível? Ele era o mesmo, ou pelo menos assim pensava, mas as pessoas e o local eram diferentes. Será que o segredo desse mistério estaria na caixa que a Princesa do Mar havia lhe dado? Ele pensou sobre isso por algum tempo e depois, finalmente, decidiu abrir a caixa, apesar de a Princesa do Mar tê-lo avisado para que nunca o fizesse.

Taro retirou a tampa, e uma estranha fumaça branca saiu da caixa e o envolveu. Ele tocou sua face, e descobriu que estava toda enrugada e que possuía uma longa barba branca. Sem se dar conta, ele havia passado muitos e muitos anos no fundo do mar, e não apenas alguns dias.

A caixa mágica conservara-lhe sempre jovem, mas agora a fumaça vinda da caixa o transformara no homem velho que realmente era. Seus amigos tinham partido, e uma vez aberta a caixa, ele jamais poderia retornar ao palácio da Princesa do Mar. Taro ficou chorando na praia.”

(Obs.: Texto extraído do livro: As Histórias Preferidas das Crianças Japonesas, Livro 02, 2005, pg. 31, Editora JCC.)


Análise do texto:

A história nos ensina que há muito tempo, habitávamos uma região onde era o ponto extremo de um reino, onde ele tocava de leve o início de outros reinos inferiores ou planícies.

Para a possibilidade de crescimento, não era possível ascender a novos planaltos superiores, sem antes colher vivência e aprendizado, peregrinando pela Criação, onde para transpor um grande Reino para outro, seria conduzido carinhosamente por servos do Altíssimo, transpondo reinos intermediantes até chegar a parte mais afastada e pesada da Criação.

Só nesta região longínqua seria possível servir de tudo aquilo que era útil para o nosso próprio progresso.

Continuamente deveria empreender um esforço sincero para o reconhecimento das leis eternas da Criação, e trabalhar para promover o bem, assim fazendo desabrochar todas as capacidades latentes da nossa origem.

Devemos nos manter vigilantes e alertas para não cairmos nos engodos dos falsos ensinamentos que semeiam a tentação, e evitando que se caia nas garras do falso príncipe, princesa e de seus súditos, onde eles pregam ruína dos espíritos humanos, baseado numa vida faustosa de gozo, prazeres terrenos e outros, apagando assim, definitivamente as lembranças da terra natal.

Se não empreendermos todos os esforços, correremos sérios riscos, e quando despertarmos no último instante, o nosso espírito já se encontrando velho e cansado, não teria mais forças para encontrar o caminho de volta, perdendo assim a finalidade da própria existência.

Urashima Taro, uma mensagem de grande valor espiritual, para cada um de nós.

  Escrito por: Yoshio Nouchi

Como Surgiu Esse Link II


Como Surgiu Esse Link II

No ano de 2007, numa reunião com o grupo de jovens antes do ensaio semanal do Taiko (Tambor Japonês), levei um livro das histórias para crianças japonesas, já traduzido na versão em Português. Me recordo de ter contado duas histórias deste livro, e todos se encontravam sentados em círculo, num canto da quadra de esporte.
Fui contando normalmente, como manda uma leitura didática ou como o raciocínio já sabe fazê-lo.
Após passar algumas horas, veio a surpresa; intuitivamente me despertou esta vontade de contá-las. Essas histórias têm um profundo valor, se analisarmos com calma, podemos extrair todo o valor contido nestas Profecias e Revelações, que chegou a posteridade na forma de conceito.
Creio que algumas centenas de anos atrás, deve ter passado nestas regiões um poeta muito inspirado que tinha capacidade de haurir de puras fontes, ou um mediador do Altíssimo, para alertá-lo de que o proceder daquela época iria influenciar nos fios do destino de cada um, sendo que o nosso proceder atual também irá influenciar nos nossos caminhos e destino futuro.
Daí surgiu o desejo de me aprofundar nas leituras dos livros infantis.
Só agora, conseguindo disponibilizar tempo, estou reiniciando esse trabalho e assim, divulgando a outras pessoas.
Assim, espero estar contribuindo para despertar aqueles que anseiam pela Verdade, mesmo sabendo que para os tempos atuais, estas Profecias e Revelações entoam meio estranhas e desajeitadas.       

                                                                                   
 Escrito Por: Yoshio Nouchi

Voltar a Simplicidade


Voltar a Simplicidade


Vamos tomar um exemplo bem conhecido de história para as crianças, em que dois personagens têm como objetivo a bandeirada de chegada. O primeiro costuma ver a estrada como algo normal, não se importando com a poeira, ou a lama, tratando todos esses fatores que estão à sua frente como algo natural, e ainda apreciando cada detalhe, cada novidade com serenidade ou entusiasmo, e assim, por mais longe e difícil que seja, podemos concluir que ele vai chegar à reta final.
Se o segundo olha a caminhada com diversas formas de pensamentos, talvez, como quem não pode perder tempo, atuando sempre na correria, atropelando outros fatores que poderiam enriquecer o eu interior, como se o tempo significasse apenas um fator para acumular riqueza ou ganhar prestígio, e ainda olhando com arrogância e presunção aqueles que vêem a caminhada com simplicidade;  é muito provável que este segundo personagem não vá aproveitar a vida naquela finalidade que foi desejada para cada um.

Assim, podemos concluir que a corrida do coelho e da tartaruga, hoje muito comum na cultura de vários povos, é um alerta e um ensinamento para o nosso proceder terreno e espiritual.
 
O primeiro, apesar do seu lento mas contínuo esforço, pode receber a bandeirada de chegada, ou podemos dizer, sem presunção no pensar e na sua forma simples de atuar, valorizando cada passo, que chegou ao destino.
O outro, com excesso de vaidade e com várias formas de pensamentos, apenas supôs que já estava lá, mas no fim, perdeu a corrida.

Conosco, seres humanos, acontece a mesma coisa; se ficarmos supondo que ainda temos muito tempo, que podemos aguardar e refrescar debaixo de uma boa sombra, ou que podemos ficar olhando com arrogância em relação ao próximo, estamos sim, perdendo tempo precioso nesta longa caminhada pela vida, e a bandeira de chegada, não será agitada para todos.

Assim, podemos deduzir que todos os povos foram alertados, não havendo um que deixou de receber algumas mensagens neste teor de auxílio e advertência.                                      

Voltar a atuar na simplicidade, na pureza dos pensamentos, hoje se tornou difícil para muitos, a vaidade e essa mania de presumir sobre tudo, exclui a possibilidade de compreender toda a grandeza contida na Criação.
                                                                           


Escrito por: Yoshio Nouchi

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Kin no ono – Machado de Ouro (Lendas)


                          

 Kin no ono – Machado de Ouro (Lendas)



“Era uma vez um casal de idosos que vivia sozinho numa cabana construída ao pé de uma montanha.

Um dia, o velhinho subiu a encosta em busca de lenha. Mas quando cortava uma árvore, o machado acabou se desprendendo do cabo e caiu no lago que se formava sob uma cachoeira. Ele desceu até a margem, preocupado em recuperar aquela importante ferramenta de trabalho.

Enquanto se debruçava sobre as águas, o velhinho viu uma grande carpa se aproximando, trazendo um machado de ouro na boca. O peixe parou, oferecendo-lhe a peça. Mas o velhinho era honesto demais para aceitar algo que não lhe pertencia.

- Mas meu machado é de ferro!- disse o velhinho.

Ao ouvir isso, a carpa mergulhou novamente, voltando com a peça de ferro, já gasta pelo tempo.

O homem agradeceu e retornou para a casa.

No dia seguinte, ao acordarem, os dois idosos levaram um susto: o machado de ferro havia se transformado em uma peça de ouro maciço. Eles ainda estavam comemorando o acontecimento quando sua vizinha veio bater à porta para pedir emprestado um pouco de lenha. Ao ver a peça de ouro, os olhos da visitante brilharam, cheios de cobiça:

-Onde vocês conseguiram isso? –perguntou.

Então, o velhinho explicou a história. A vizinha correu para casa e contou o episódio para o marido, pedindo-lhe que fosse até a montanha cortar a árvore no mesmo local onde o velho tinha ido. Ele foi e fingiu que estava cortando o tronco de uma árvore.

De repente, deixou cair o machado dentro do lago. Ao chegar à margem, viu a carpa gigante trazendo a ferramenta.

- Mas meu machado é de ouro! – disse ao peixe.

A carpa mergulhou e se aproximou dele com uma peça reluzente na boca. O homem mal conseguia se conter. Ansioso para colocar as mãos no machado de ouro, acabou se precipitando e caiu no lago, morrendo afogado.” 

Obs.: Texto original extraído do site: www.pdacinhos.onegaibr.com

Análise do texto:

Depois desta vida terrena, vários ensinamentos espirituais citam que faremos uma passagem para outro lado, ou estaremos lá no Além. A história nos alerta, que também lá, rege uma simples lei da Criação- aLei da Gravidade.

Aqueles que possuem constituição pura, e procuram se enquadrar harmoniosamente na lei da Criação, serão elevados; ao contrário, os que aspiram pelo impuro, pesado e que visam apenas o terrenal, tendem a afundar.



Escrito por: YoshioNouchi

O Ogro e o Galo



O Ogro e o Galo

“Era uma vez uma montanha tão alta que parecia tocar o céu. No topo dela vivia um ogro terrível. Ele tinha pele vermelha, um único chifre na cabeça e estava sempre fazendo maldades com o povo do vilarejo ao pé da montanha.

Numa manhã, os camponeses do vilarejo que trabalhavam ao pé da montanha foram para seus campos e viram suas plantações arruinadas. Alguém as arrancou e pisou sobre elas até que não restasse uma única planta inteira.

Eles se perguntaram quem poderia ter feito tal maldade, até que viram as pegadas do ogro espalhados pelo chão.

Os camponeses ficaram enfurecidos. Eles estavam cansados das travessuras do ogro e, quando olharam os vegetais destruídos por todos os lados, ficaram ainda mais furiosos.

Os camponeses apontaram para a montanha e gritaram:

-Seu ogro malfeitor! Por que não pára de fazer essas maldades: Desta vez, nós lhe daremos uma surra!

O ogro olhou para baixo e respondeu com sua voz terrível:

-Vocês precisam me dar um humano todos os dias para meu jantar. Desse modo, vou deixá-los em paz.

Os camponeses nunca tinham ouvido um pedido como aquele. Eles levantaram suas enxadas para o ogro e gritaram de volta:

-Quem você pensa que é para querer comer um humano todos os dias?

-Eu sou o ogro dos ogros- urrou o ogro de volta. – Isso é o que sou! Não há absolutamente nada que eu não possa fazer! Ha, ha, ha!

A voz do ogro ecoou ruidosamente através das montanhas e fez todas as árvores se inclinaram e balançarem.

-Muito bem, então- os camponeses gritaram de volta. – Vamos ver o quanto é poderoso! Se puder construir uma escadaria de pedra com uma centena de degraus por todo o caminho até o topo da montanha, nós lhe daremos tudo o que desejar:

-Ora, certamente posso fazer isso! – o ogro respondeu. – Se não tiver terminado a escadaria antes do primeiro galo cantar amanhã de manhã, prometo ir embora e nunca mais amolar vocês.

Assim que escureceu, o ogro seguiu para o vilarejo e colocou uma capa de palha sobre a cabeça de todos os galos, de modo que não pudessem ver o sol nascer. Então, o ogro disse para si mesmo:

-Agora construirei aquela escadaria! E se pôs a trabalhar.
O ogro trabalhou rapidamente e com tanto afinco que ele já tinha colocado noventa e nove degraus no lugar quando o sol começou a nascer no leste. Mesmo assim, ele sorriu para si mesmo, sabendo que os galos não cantariam, e que ele ainda teria muito tempo para colocar o último degrau na escadaria.

Porém, uma deusa bondosa também vivia na montanha. Ela vinha observando o ogro, e viu o truque sujo que ele estava fazendo. Assim, enquanto o ogro descia a escadaria para buscar a última pedra, a deusa voou até o vilarejo e tirou a capa de palha da cabeça de um dos galos.

O galo viu o sol nascer e cantou ruidosamente:

- Co-co-ri-có!

Isso acordou os outros galos, que começaram a cantar em coro. O ogro ficou estarrecido.

-Eu perdi!- gritou ele. – E havia apenas mais um degrau para fazer!

Mas até os ogros precisam cumprir as promessas. Assim, ele bateu em seu chifre, desapontado, e seguiu para longe das montanhas. Ninguém jamais viu o ogro novamente, e os camponeses viveram muitos felizes ao pé da montanha. “Eles terminariam a escadaria até o topo e sobem até lá nas noites de verão para apreciar a vista maravilhosa.” 

Obs.: Livro de consulta: As histórias preferidas das Crianças Japonesas,
Livro 01,2005, pag. 86

Análise do texto:

Para entender melhor esta mensagem, devemos trocar alguns personagens.

Iremos considerar o Ogro como uma figura importante da humanidade ou uma parte das criaturas humanas, e o galo o badalar de um grande sino, sinalizando o fim de um período e o início de outro.

Nós, seres humanos, sempre julgamos estar muito mais acima do que realmente somos, onde aprendemos a apreciar essa mania de nos auto valorizar e nos glorificar.

Exaltam suas obras, suas conquistas e seus feitos terrenos, sem saber e sem agradecer Àquele que dá a possibilidade para tudo o que deseja.Outros, não perdem a oportunidade de lesar ou prejudicar seus semelhantes.

Em outros casos, vários alertas desceram para diversos povos, para que nós não empreendêssemos todo o nosso tempo e esforço para rolar pedra montanha acima, assim, para que não ficássemos presos apenas ao terrenal.

As primeiras horas do cantar do galo do amanhã de manhã, conforme a história representa, o prazo destinado para todos acordarem para a verdadeira vida.

Todos foram alertados, para que não viessem a agir como os Ogros, dedicando todo o seu esforço para concluir um grande feito terreno, que era a conclusão de uma escada de pedras até o topo da montanha, supondo ainda que teria muito tempo, sorrindo para si mesmo, porque ele ardilosamente colocou uma capa de palha sobre a cabeça de todos os galos.

Ao amanhecer com o sinal do galo, é um alerta de que o prazo de desenvolvimento da humanidade está chegando ao fim, e quando esgotar às 12h se fará ouvir o badalar do relógio universal, sem acrescentar mais nenhum minuto.


A terra ficará vazia destas criaturas maldosas, arrogantes e ingratas, e o pouco que apesar do sofrimento se mantiver puro e implorar por auxílio, será possibilitado subir a escadaria e apreciar a vista maravilhosa.

O Ogro e o Galo, uma mensagem de um profundo significado espiritual, para cada um de nós e para toda a humanidade.




Escrito por: YoshioNouchi

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

O Velho Que Faz Florir as Cerejeiras



O Velho Que Faz Florir as Cerejeiras


“Era uma vez um velhinho muito bondoso que vivia com a sua esposa em um pequeno vilarejo do Japão. Ao lado de sua casa morava um outro velhinho, muito malvado, e sua mulher. O velhinho bondoso e sua esposa tinham um pequeno cachorro branco chamado Shiro. Eles o amavam muito, e sempre lhe davam coisas deliciosas para comer. Mas o velho malvado detestava cachorros, e toda vez que via Shiro, atirava pedras nele.

 Um dia Shiro latiu ruidosamente no quintal. O velhinho bondoso foi até lá ver qual era o problema. Shiro continuou a latir, e começou a cavar um buraco no chão.

- Oh, você quer que eu lhe ajude a cavar?- perguntou o velhinho. Ele buscou uma enxada e começou a cavar. De repente, sua enxada acertou em algo duro. Ele cavou mais fundo e encontrou um pequeno pote de ouro enterrado! O velhinho bondoso levou o pote para a casa e agradeceu Shiro por tê-lo levado até o ouro.

Porém, o velhinho malvado e sua esposa estavam espionando os vizinhos e viram tudo o que aconteceu. Eles também queriam o ouro, então no dia seguinte o velhinho malvado perguntou se podia levar Shiro emprestado por um instante.

-Ora, claro que pode, se lhe for útil de alguma forma- respondeu o velho bondoso.

O velhinho malvado levou o Shiro até seu terreno e ordenou ao cão:

- Agora encontre o ouro para mim também ou vou lhe dar uma surra. Shiro começou a escavar o chão. O velhinho malvado amarrou o cão em uma árvore e continuou a cavar sozinho. Porém, tudo o que encontrou foi um monte de quinquilharias! Isso deixou-o tão bravo que ele bateu na cabeça de Shiro com a sua pá e o matou.

O velhinho bondoso e a sua esposa ficaram muito tristes com a morte de Shiro. Eles enterraram o cachorro em seu terreno e plantaram um pinheiro sobre a sepultura. Todos os dias, eles iam até o túmulo e regavam o pinheiro com amor.

O pinheiro começou a crescer e em um curto espaço de tempo tornou-se grande. A esposa do velhinho bondoso lhe disse:

-Lembra-se de como Shiro gostava de comer bolo de arroz?

Vamos cortar a árvore e fazer um pilão com o seu tronco. Com o pilão faremos bolos de arroz em memória de Shiro.

Assim, o velhinho bondoso cortou a árvore e fez um pilão.

Ele encheu-o de arroz cozido e começou a esmagá-lo com um socador para fazer os bolos. Mas, toda vez que socava o arroz, ele se transformava em ouro! Assim, o velhinho bondoso e sua esposa ficaram ainda mais ricos.

Mais uma vez o velhinho malvado e sua esposa espionavam através da janela quando o arroz se transformou em ouro, e quiseram ouro também. No dia seguinte, o velhinho malvado perguntou se poderia levar o pilão emprestado:

–Claro, por que não?- disse o velho bondoso.

Então, o velhinho malvado levou o pilão para a sua casa e o encheu de arroz cozido.

-Agora veja- ele disse à esposa. – Quando eu começar a esmagar o arroz, ele se transformará em ouro. Assim que ele começou a esmagar, o arroz se transformou em lixo malcheiroso! Isso deixou o velhinho malvado tão bravo que ele quebrou o pilão e queimou os pedaços em sua lareira.

Quando o velhinho bondoso foi buscar o pilão, encontrou-o transformado em cinzas. Ele ficou muito triste, porque o pilão fazia-o lembrar de Shiro. O velhinho bondoso recolheu um pouco das cinzas e levou-as para casa com ele. Isso aconteceu no meio do inverno, e todas as árvores estavam sem folhas. O velhinho bondoso decidiu espalhar um pouco de cinzas em seu quintal. Ao fazê-lo, as cerejeiras começaram a florescer. Todos vieram ver essa cena misteriosa, e mesmo o lorde que vivia em um castelo próximo ouviu falar do ocorrido.

O lorde tinha uma cerejeira que cuidava com muito carinho. Todo ano, ele mal podia esperara chegada da primavera para ver suas flores belíssimas. Porém, na primavera daquele ano, o lorde descobriu que a árvore estava morta, e ficou muito triste. Ao ouvir falar das cerejeiras do velhinho bondoso, enviou um servo até ele e pediu-lhe para fazer a sua árvore voltar a vida.

O velhinho bondoso levou um pouco das cinzas até a árvore do lorde. Então, subiu na árvore, atirou as cinzas sobre os galhos secos e, em um piscar de olhos, a árvore inteira estava coberta com as mais belas flores de cerejeira jamais vistas.

O lorde ficou muito satisfeito e deu aos velhinhos um título novo: ‘Senhor Velho Que Faz Florir as Cerejeiras’.

O Senhor Velho Que Faz Florir as Cerejeiras e sua esposa tornaram-se muito ricos e viveram felizes por muitos anos.”

Conclusão:

Resumindo, não importa quanto venham a nos prejudicar, mas se sempre nos mantivermos bondosos e gentis com todos, e se procedermos com amor nas atividades do dia a dia, estaremos embelezando primeiramente o jardim mais próximo de nós, lá no mundo mais fino, a tal ponto que seremos convidados a embelezar outros jardins, muitos mais extensos e elevados, na morada dos espíritos puros, recebendo ricos tesouros espirituais como recompensa de uma longa jornada.
Obs.: Livro de consulta: As Histórias Preferidas das Crianças Japonesas, livro 01,2005, pag. 77, Editora JBC.


  Escrito por: YoshioNouchi

O macaco de rabo curto


O macaco de rabo curto



“Era uma vez um macaco muito jovem e tolo. Ele estava sempre pregando peças e fazendo coisas perigosas e tolas. Todos os outros macacos viviam lhe dizendo para ser mais cuidadoso, ou qualquer dia acabaria se machucando, mas ele não escutava.

Certo dia, o macaco tolo correu pela floresta, subindo nas árvores mais altas e pulando entre os galhos mais longos. Mas ele era tão descuidado que caiu da árvore em cima de uma moita de espinhos, e um espinho longo e pontiagudo espetou a ponta do seu rabo.

-Ai! Oh! Ai!- ele berrou, segurando a cauda. – Oh, como isso dói - gritava muito alto.

Como podem ver esse não era de modo algum um macaco durão. Naquele momento, um barbeiro passava por ali, carregando sua navalha. Quando o macaco o viu, pediu:

- Por favor, Senhor Barbeiro, ajude-me a cortar estes espinhos do meu rabo.

O barbeiro abriu sua navalha pra cortar os espinhos fora. Mas lembre-se, o macaco tolo não era muito corajoso. Ao ver a navalha se aproximar de seu rabo, gritou:

-Oh, isso vai doer! – e deu um grande pulo.

A navalha atravessou o rabo, cortando a ponta fora!

Quando o macaco se deu conta do que havia acontecido, ficou muito bravo.

- Veja só o que você fez com o meu rabo - disse ele. Você precisa colocá-lo de volta, do contrário terá de me dar a sua navalha.

O Barbeiro não pôde colocar o rabo do macaco de volta, e, para compensar, deu-lhe a navalha. O macaco foi caminhando pela floresta, levando a navalha consigo. Ele parecia muito idiota com o rabo curto, mas estava tão orgulhoso da navalha que nem parou para pensar no seu próprio rabo.

Em seguida, o macaco dirigiu-se a uma velhinha que estava recolhendo lenha na floresta. Alguns dos gravetos eram longos demais, e ela estava tentando quebrá-los em pedaços menores para levá-los a sua casa. O macaco observou a velhinha por um instante. Ele queria muito mostrar a alguém sua bela navalha, e essa seria uma boa chance. Então, ele disse:

- Olhe vovó, eu tenho uma navalha bonita e afiada. Você pode   pegá-la emprestada para cortar a lenha, se quiser.

A velhinha ficou muito satisfeita.

- Muito obrigado, macaco – respondeu ela, e começou a cortar a madeira com a navalha do macaco.

Acontece que uma navalha não foi feita para cortar lenha, e logo a lâmina ficou cheia de fendas e cortes. Quando o macaco viu isso, ficou muito bravo.

-Veja só o que fez com minha navalha! Você precisa me devolver a navalha do mesmo jeito que estava antes, ou terá de me dar a sua lenha.

Claro que a velhinha não pôde consertar a navalha. Assim, ela entregou a lenha ao macaco. Então o macaco tolo seguiu caminhando para a floresta, carregando a lenha com ele. Ele parecia idiota com o rabo curto, mas estava tão orgulhoso da lenha que nem pensou em seu próprio rabo.

Um pouco depois, o macaco viu uma confeiteira fazendo biscoitos. Acontece que o macaco adorava biscoitos mais do que qualquer outra coisa, e ficou com uma vontade de comer alguns. Ele disse:

- Olhe confeiteira, tenho lenha ótima e bem seca. Você pode pegá-la emprestada para assar seus biscoitos.

A confeiteira ficou muito satisfeita, porque a madeira que estava usando era verde e não queimava muito bem.

-Muito obrigada, macaco – disse a confeiteira.

Então, pegou a lenha e a colocou todinha no fogo. Acontece que o fogo estava muito alto e a lenha seca queimou rapidamente. O macaco ficou observando até que todos os biscoitos fossem assados. Oh, como cheiravam bem! Ele ficou lambendo os beiços. Finalmente, a confeiteira tirou os biscoitos do fogo. A essa altura, toda a lenha tinha sido queimada até as cinzas. Quando o macaco viu isso, ficou muito bravo.

-Veja só o que você fez com a minha lenha! - reclamou ele. – Agora, precisa devolvê-la para mim da mesma maneira que estava antes. Do contrário, terá de me dar alguns biscoitos que assou.

- Mas como eu posso devolver a lenha? – perguntou a confeiteira. – Você a viu queimando no fogo.

- Eu não posso fazer nada - disse o macaco. – Você precisa         devolvê-la, ou terá de me dar alguns biscoitos.

Naturalmente, a confeiteira não conseguiu transformar as cinzas em lenha novamente, portanto, teve de dar ao macaco alguns biscoitos, ainda fumegantes, saindo do forno. O macaco tolo seguiu caminhando pela floresta, mordiscando os biscoitos deliciosos. Ele parecia muito idiota com aquele rabo curto, mas estava tão ocupado comendo os biscoitos que nem prestou atenção em seu próprio rabo.

Nesse momento, o macaco viu um velhinho carregando um velho gongo de bronze.

- Não seria maravilhoso ter um gongo como aquele? – disse o macaco a si mesmo. – Assim, todo mundo me escutaria.

Ele ainda tinha muitos biscoitos de sobra, então falou:

-Ei, vovô, eu tenho alguns biscoitos deliciosos aqui. Vou dar-lhes em troca deste maravilhoso gongo. E ele deu ao homem um dos biscoitos para experimentar. O velhinho comeu o biscoito, e achou tão delicioso que quis comer mais.

- Você pode levar o gongo, e eu ficarei com os biscoitos - concordou o velhinho.

O macaco pegou o gongo e subiu até o topo da árvore mais alta da floresta, onde os galhos eram finos. Ele parecia idiota com o rabo cortado, mas estava tão orgulhoso de si mesmo e de seu gongo de bronze que nem pensou a respeito. Ele bateu o gongo com força e cantou tão alto que todos os macacos ouviram. E foi isso que cantou:

- Sou o macaco bonito,

o verdadeiro rei da cocada,

com o meu gongo de bronze,

sou o líder da macacada

Bong! Bong! Bong!

Eu tinha um belo rabo

e o troquei por uma navalha,

e a troquei por alguma lenha,

e a troquei por uns biscoitos,

e os troquei por um gongo -

um belo gongo de bronze

Bong! Bong! Bong!

O macaco tolo cantava balançando seu rabo curto no ar, e parecia muito estúpido aos macacos que assistiam ao espetáculo. No momento do último “Bong!”, ele bateu no gongo com tanta força que caiu da árvore, bem em cima de outra moita de espinhos. Os outros macacos riram muito, enquanto tiravam os espinhos do macaco tolo. Após o ocorrido, eles o apelidaram de Macaco Rabo Curto Bong Bong, e nunca mais ele pôde esquecer-se do próprio rabo.” 

Obs.: Livro de consulta: As Histórias Preferidas das Crianças Japonesas, livro 01, 2005, pág. 100, editora JBC.

Análise do texto:

Convido os leitores e amigos a interpretar algumas histórias da cultura japonesa com a nossa intuição. Sendo assim, esta mensagem serve para que não enveredemos na mesma trilha, em que a história é bem clara, e para que não abriguemos a vaidade dentro de nosso íntimo.

Ela torna as pessoas injustas, provocando sofrimento e prejuízo aos outros. 

Essa atitude deixa as pessoas cegas e intolerantes, e só tende a aumentar cada vez mais, sem se importar com os valores dos outros. Assim, chega ao ponto de toda sua comunicação estar impregnada na maestria para enganar a si mesmo, alertando que, até correríamos os riscos de comercializar partes de nossos corpos para atender aos desejos insaciáveis da vaidade.

Ao olhar de um observador sereno, o qual inúmeros auxílios já recebeu, torna-se ridículo todo esse proceder.

A advertência mais grave era para que os seres humanos não viessem a abrigar a vaidade espiritual, e assim, não procurassem mais saber como deveriam viver para serem agradáveis ao Altíssimo.
A vaidade tem inúmeras faces e cabe a cada um avaliar e reavaliar a própria vida interior, e assim, não ficar afastado ou totalmente apartado das beneficiadoras irradiações da Trindade do Amor, Pureza e Justiça Divina.

Essa é uma mensagem de profundo valor, que foi retransmitida há centenas de anos, onde a profecia procura alertar, para que não venha a ocorrer o descalabro da humanidade.




                                                     Escrito por: Yoshio Nouchi